É sempre uma sensação contemplar um frango d'água. Entre as mais discretas aves, os frangos d'água escondem-se tão bem entre capim, juncos, e plantas aquáticas que requer muita paciência e alguma sorte para ver os pequeninos. Os maiores geralmente surgem do capim do pantanal e caminham ao longo dos riachos e praias lamacentas, mas os pequenos, ou pintos d'água, simplesmente não aparecem, exceto em raras ocasiões. Os frangos d'água podem variar do tamanho de quinze centímetros de comprimento até ao tamanho de uma galinha.
Um dia, no sudeste do México, estávamos desejosos por ver um pequeno frango d'água vermelho. Podíamos ouvir os lamentosos chamados de muitos deles no capim alto do pântano, mas não conseguíamos nem um vislumbre de suas penas coloridas, de um ruivo profundo. Não muito maiores que um pardal, faziam tanto barulho quanto um quintal cheio de pintinhos. Tentamos até ludibriá-los para que aparecessem a descoberto, usando um gravador. Gravamos seus chamados e depois os tocávamos de volta, na esperança de que se aproximassem para podermos vê-los. Eles até que se aproximaram – podíamos ouvir imediatamente suas respostas, e observar o capim se movendo em nossa direção.
Na verdade, um chegou até às minhas botas. Estava perto assim. Pude ver o capim movendo-se, e ouvir o seu piado – mas eu não o podia ver. Não consegui nem um pequeno vislumbre de um único frango d'água, e todos estavam ao nosso redor em plena luz do dia. Fiz três viagens ao México e várias visitas ao mesmo pantanal e nunca consegui ver uma dessas aves sequer. Para mim é um mistério como conseguem se esconder de tal maneira.
Nos Estados Unidos temos frango d'água negro que é quase do mesmo tamanho que o vermelho. Em trinta anos de buscas, eu penso ter conseguido ver um, certa vez.
Se Deus pode prover um abrigo de capim que esconde tão bem os frangos d'água, certamente Ele pode nos esconder em tempos de adversidades.