Não há nada que faça uma pessoa saudável correr mais depressa do que um sincero grito por ajuda. Conheço o temor que se apodera de meu coração quando escuto uma criança chorando de tristeza ou por algum ferimento. Deixo tudo que estou fazendo e saio correndo. Este impulso também parece ser real com os pássaros.
Eu costumava capturar passarinhos com arapucas e redes, colocar anéis numerados em suas pernas, e então soltá-los. Era comum para alguns pássaros começar a gritar com força logo que eram capturados.
Há pessoas que são assim. Quando alguma coisa vai mal, começam a gritar de angústia, enquanto outras suportam tudo pacientemente. Mas, penso que há tempo para gritar e tempo para ficar calado. E os passarinhos parece que já descobriram isso. Os passarinhos agressivos que aparentemente desempenham o papel de patrulheiros, são os que gritam. Pássaros como o gaio e o cardeal, quase sempre gritam quando são pegos por uma pessoa. Pelo que parece, ao agirem assim estão tentando trazer outros pássaros para atacar e expulsar os monstros mesquinhos que os estão agarrando.
Li a respeito de uma situação na qual alguns passarinhos foram capturados numa rede e imediatamente soltaram gritos que trouxeram um bando de "companheiros" das redondezas. O bando imediatamente começou a atacar a pessoa que estava segurando um dos passarinhos que fora preso. Parece que, sem pensar a respeito de si mesmos, outros passarinhos vêm em grupos para ajudar a expulsar aquilo que instintivamente acham que seja uma cobra, coruja ou talvez um gato. De modo que os gritos de passarinhos capturados não são gritos de medo ou dor, mas sim, gritos de aviso e pedido de ajuda. E os gritos produzem o efeito desejado. Outros pássaros vêm depressa, do mesmo modo que eu faço quando escuto alguém pedindo ajuda e do mesmo modo que Jesus faz quando clamamos por Ele.