Uma Palavra Amiga

"Quero que estejas comigo"

08 de Dezembro
Pai, aqueles que me deste, quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo. João 17:24.
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Voltarmos a estar juntos é, por agora, só um desejo piedoso. No momento em que escrevo esta página, o nosso filho mais velho encontra-se como de costume, a viajar por algum lugar de África, o seu campo de trabalho; a nossa filha e o nosso genro, com os seus filhos, os nossos únicos netos, estão no Michigan, onde exercem como professores na Universidade de Andrews; e o nosso filho mais novo continua por esses mundos de Deus, desempenhando funções para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Compreendo que o amor de Jesus se manifesta também, mas num grau infinitamente superior ao nosso, no seu desejo de nos ter ao seu lado, onde ele está. Por isso, a sua promessa mais repleta de amor continua a ser: “virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós, também” (João 14:3).

Devido à minha experiência como pai, fui matizando as minhas ideias sobre o carácter de Deus, que deixaram de estar dominadas pela sua omnipotência (algo próprio da minha fé de criança) e passaram a centrar-se cada vez mais no Deus pai amante, um Deus que partilha os meus anelos – a miúde insatisfeitos – de reunir toda a família, de momento dispersa.

Se seres humanos tão limitados como os pais podemos amar assim, e se a nossa vida nos é curta, e insuficiente para expressar todo o amor que temos; se dentro dos limites da nossa finitude humana, somos capazes de albergar tanto carinho para com os nossos seres queridos, como seríamos capazes de expressar em palavras o amor que Deus nos tem? “Pois se vós, sendo maus sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial…? (Lucas 11:13).

Quando se ama uma pessoa deseja-se estar sempre com ela. O desejo do chamado “bom ladrão” de estar com Jesus – “Lembra-te de mim, quando entrares no teu reino” (Lucas 23:42) – era tão plenamente partilhado por Cristo que a sua resposta não se fez esperar: “Em verdade te digo hoje, que estarás comigo no Paraíso.” (v. 43).

Nicolás Copérnico (1473-1543), grande precursor da astronomia moderna, fez inscrever em latim sobre a sua tumba (na igreja de Warmic, na Polónia), a seguinte oração: “Não te peço, Senhor, o perdão concedido a Pedro, nem a graça acordada a Pedro. Conformo-me com o que prometeste ao ladrão na cruz”.

Essa é também a minha oração.